Rio de lixo

Um pântano dentro de mim. Não. Pobre do pântano. Um rio inteiro completamente poluído. Já fui límpida, coloria o céu quando a luz do sol me visitava. De manhã oferecia água fria para despertar os mais corajosos, e a tardezinha água morna para relaxar quem vinha da labuta ou simplesmente…

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Maldita

Eu sigo ela fica. Eu parto ela permanece, involuntariamente, por gerações. Intocável tal qual anjo do mal, é como tatuagem distorcida em meus descendentes. Nada pior para me representar, uma marca de destruição e dor em meio a preconceitos e solidão. É o que deixo sem ser consultada. É o…

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O grito

Grita a dor um grito mudo perturbador, um grito profundo explosivo ensurdecedor. Grita a dor um grito latejante indistinto lavado em lágrimas, impulsivo saído às pressas nascido à força, rasgando entranhas. Grita a dor seu grito fumegante um grito mais alto do que o som, sem barreiras. O grito da…

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Canto da sereia

Soltem meus braços soltem meus passos parte de mim já seguiu e o que seguram é uma carcaça inútil e vergonhosa. Deixem-me seguir mesmo por caminhos tortuosos. Caminhos não ferem, nós nos ferimos ao longo deles, mas pessoas, como feras, mastigam e regurgitam pedaços moídos de mim. Deixem-me ir e…

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Sobrevivente

Cada lembrança me fere quase mortalmente mas não morro. Insistentemente, não morro ainda mais. Fortaleço. O quê? O que sai fortalecido, tendo sido destruído? Como metal tratado a fogo, retorcido disforme, duro, frio quase desprezível, nada acolhedor. Forte? Falível. Onde a força por ver-se destruído mas não aniquilado?  

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Resgate

No interior de uma caverna habito há anos. Protegida do sol, da chuva e do vento, de olhos e línguas. Uma caverna como a de Platão em que só vejo sombras, e imagino ser este todo o mundo. Sombras. Não conheço o sol que as projeta não conheço as formas…

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