Posso dizer que algo me segurou nos últimos segundos em minhas tentativas de suicídio e não foi um medicamento, muito menos um conselho. No último segundo, na divisa entre a vida e a morte, eu tive muito medo. Eu temi o que viria depois.

De algum modo, sem conseguir concentração nem para fazer uma prece, em algum lugar dentro de mim algo me dizia que o Divino existia, repleto de Bondade e também de Justiça.

Se devo reconhecer o criador pela obra, tudo de grandioso que vejo aqui só pode ser fruto de um Criador Divino, porque o acaso só produziria o caos, não a perfeição.

Eu sabia que estava infringindo a lei de autopreservação, uma lei da natureza, portanto criada pelo Divino; então de alguma forma teria que prestar contas disso, porque sempre respondemos por nossos atos, bons ou maus.

Foi o instinto do existir Divino que me salvou, porque fosse eu uma pessoa materialista estaria hoje morta. Afinal, por que viver com todo o sofrimento da depressão, que esmaga e segrega, se com um simples gesto eu poderia parar de sentir tudo, indo de encontro ao nada?

Senti que antecipar meu fim me levaria a um lugar ruim. Temi um vale muito sombrio repleto de solidão. Eu precisei ter medo e admitir que o vazio depois da morte é irracional. Não desmerecendo minha médica, psicólogos, familiares e amigos, que me ajudaram a reencontrar o equilíbrio, eu afirmo: tive fé, também por isso estou viva.

One Comment

  1. Jonatas de Andrade Souza

    Fiquei emocionado ao ler o texto,emocionado sim não surpreso,pelo pouco tempo e convivência com vc percebi e senti logo de início,a sua grandeza…grandeza no sentido de superação, de Fé,de amor ao próximo e de inteligência…cada vez mais te admiro!

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