Meu luto – Calem o mundo

Hoje eu me sinto tal qual uma árvore…
Mas sofri com um corte que desta feita não veio atingir meus galhos para a poda necessária.
Foi golpe desferido em minhas raízes.
Eu me sinto mais frágil,
Vendo carregarem para longe um significativo pedaço de mim
Que me mantinha mais firme ao chão.
Ao levarem uma de minhas fortes raízes
O tronco teme tremer.
Teme por saber-se ser insuficiente
Para sustentar minhas folhas, flores e frutos.
Silêncio… que não se ouça nem o vento.
Calem o mundo para eu poder curar minha dor.
Que nada se mova.
Até sussurros são barulhos demais para um momento de adeus.
E eu lembro de tantos sons!
Sons que em algum momento rodearam a pessoa amada que partiu hoje:
Som de carro buscando netos
Som de carro levando leite.
Som de voz oferecendo doce caseiro.
Som de voz disciplinando por décadas a tantos!
Som de voz amando…
Som de sapos e bichos da granja.
Som da água na caixa ou no riacho…
Som da água que desce por meu rosto na chuvarada da despedida.
“A sua bênção, vó!”
E ela pedia a Deus que nos fizesse felizes…
Lembro do som no saguão do aeroporto, interrompendo as férias escolares e me chamando de volta à São Paulo, longe dos avós tão amados.
Desta vez a viajante é ela
Mas a saudade continua sendo minha.
Vovó, hoje sou eu que preencho o silêncio desta temporária despedida, desejando:
“Marluce, boa viagem de regresso!”.
Tenho certeza de q assim será, como fruto de todo o Bem que aqui deixou semeado ou já a frutificar.

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