Gestação de risco

Lembro quando perguntei para minha primeira médica se eu poderia engravidar novamente, por causa do tratamento para o transtorno bipolar. Ela foi taxativa: “Não. Fique boa e cuide dos dois filhos que você já tem”. Mas eu sempre quis ter mais um, e anos depois ele veio. Então eu estava com outra médica, que também não recomendava a gravidez mas a acolheu quando esta veio.
Escrevo sobre isso para dialogar com mulheres bipolares que ainda não têm filhos e se debatem entre dúvidas. Lembrei de minha irmã, que tem lúpus e a quem também recomendaram que não engravidasse. Ela teve duas gestações de altíssimo risco mas que deram certo.
Eu paguei um preço alto, tive que interromper o tratamento e isso me custou uma crise das mais severas. Precisei de alguma medicação no último mês e o bebê nasceu com os reflexos mais lentos, o que durou os primeiros dois dias.
Fora essa questão prática tem um medo existencial: não quero ter filhos e correr o risco de passar adiante esse transtorno…
Arrisquei. Colho as lágrimas e os louros.

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