Como é ter um familiar com distúrbio psíquico? Confira a visão da família nesta curta entrevista.

Também é difícil para a família.

Também é difícil para a família.

Com J. M. T., pedagoga, 41 anos. Dois parentes próximos com transtorno psiquiátrico.

Como é conviver com um parente em sofrimento psíquico antes de vocês terem conhecimento da doença?

É comum imaginarmos que as situações que ocorrem no dia a dia são episódios isolados. Geralmente essa pessoa com quem convivemos é muito amada e admirada, então é difícil perceber que algo não está muito bem…
Com o passar dos anos vamos percebendo mais detalhes e é doloroso conviver com aquelas dificuldades. Mas sem sabermos o diagnóstico achamos que tudo aquilo que muitas vezes incomoda ou é inconveniente, é um traço de uma personalidade difícil, temperamento forte ou descontrole emocional. Nem imaginamos que por trás daquela situação há um problema psiquiátrico. Só que muitas vezes isso já é o perfil da doença e os sintomas ficam claros para a família mesmo não tendo o diagnóstico. Vemos várias situações parecidas no mundo lá fora, mas nunca imaginamos que dentro da nossa família há uma pessoa com esses problemas.

Como é receber o diagnóstico de um distúrbio mental na família?

Depois que recebemos o diagnóstico duvidamos um pouco, mesmo diante dos sintomas no cotidiano, ficamos olhando para outras situações, procurando algo semelhante. Só que acho que problema psiquiátrico não tem nenhum igual ao outro, porque cada perfil é diferente. Quando temos uma pessoa com problema psiquiátrico na família temos que abraçar a causa, que “esvaziar o copo” muitas vezes para ele poder encher de novo, temos que aprender a conviver com a doença, porque se a família não se cuidar também adoece (emocionalmente). Por isso é importante que nós também tenhamos um acompanhamento psicológico, orientação. É preciso que todos se envolvam com o atendimento àquele parente próximo.

Como é a convivência com o parente depois do diagnóstico?

Depois de aceitar o diagnóstico ainda ficamos um tanto surpresos, porque ninguém está preparado para conviver com alguém com problema psiquiátrico. Algumas pessoas não entendem, chamam de doido, de louco, acham que a pessoa tem uma índole ruim, e não é verdade. Quem conhece a pessoa no íntimo sabe que o coração dela é bom, e que muitas vezes é preciso uma medicação, tratamento e acompanhamento. Todos precisam compreender a doença.
Muitos familiares, às vezes algumas famílias inteiras, se distanciam quando aparece esse problema. Mas é muito importante, antes de julgar, conhecer o problema e apoiar no que for necessário, mesmo não sendo fácil. Essa convivência é difícil para a família, é um aprendizado. Não podemos também criar um assistencialismo com o paciente, porque muitas vezes também é um traço do paciente psiquiátrico ter uma dependência, e não é assim. Precisamos ser firmes, compreender com clareza o que é a doença para que possamos ajudar de forma correta. Jamais abandonar, jamais se distanciar. Mas o que vemos muitas vezes, é que a família vai embora. Então descobrimos que família, na verdade, é aquela que nasce no coração. Existem casos em que a família de sangue abandona o paciente e graças a Deus outras pessoas o “adotam” e se tornam sua família do coração.

2 Comments

  1. Parabéns pelo trabalho, pois irá ajudar a muitas famílias.

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