Rio de lixo

Mas em meio a tudo isso, há vida...

Mas em meio a tudo isso, há vida…

Um pântano dentro de mim. Não. Pobre do pântano. Um rio inteiro completamente poluído.

Já fui límpida, coloria o céu quando a luz do sol me visitava. De manhã oferecia água fria para despertar os mais corajosos, e a tardezinha água morna para relaxar quem vinha da labuta ou simplesmente vinha namorar.

Eu era assim, transparente, cheia de vida… Então vieram as tempestades e de tempos em tempos mais e mais lixo era jogado para dentro de mim. Hoje quem se aproxima não fica muito tempo. Sempre consegue um jeito de se beneficiar, mas nunca se junta a mim no sonho de uma dragagem revitalizando minhas águas.

Então sonho sozinha em ser cristalina novamente para abrigar vida em abundância e esporadicamente enfeitar novamente o céu.

2 Comments

  1. Vania Candeia de Souto Formiga

    Achei muito interessante esse blog, daí então resolvi compartilhar um pouco da importância de uma análise terapêutica na vida de uma pessoa, a começar por mim.É apenas um relato do despertar e de um olhar voltado para dentro de mim mesma.

    Fragmentos de mim.

    Depois de anos aprisionada em meu eu, cuidei de varrer o lixo emocional em que em mim havia. Foram anos e anos acondicionando coisas que acabaram me sufocando, num turbilhão de emoções ora confusas, traumas, medos, inseguranças, mágoas, desejo de vingança; sentimentos que não admitia que existissem em mim. De repente não havia mais espaço para guardar tanta coisa. As gavetas estavam repletas, era hora de descobrir o que não me servia mais e que eu insistia em amontoar.
    Foi aí onde precisei buscar ajuda terapêutica. Era hora de faxina, de reorganização, sobretudo de ânimo e coragem para encarar tal tarefa. E assim o fiz.E como foi difícil e doloroso rebuscar fragmentos de um passado distante, lá no fundo de cada gaveta, enquanto eu nutria um desejo de ignorá-los e não ter que mexer nunca!… Como foi doído desnudar a alma! A cada capa que eu despia era uma tortura, uma ferida que se abria, uma nova descoberta. Sim, porque eu não era nada daquilo que o espelho da minha alma refletia, não conseguia admitir. Pelo contrário, a vida toda me esforçara para ser a boazinha, a justa, a íntegra, incapaz de cometer deslizes. Era a minha sombra ignorada que surgia. E agora, como encarar situações tão embaraçosas diante de um terapeuta e que jamais admiti que pudesse fazer parte de mim? No entanto fazia parte sim, e eu tinha que aprender a enfrentá-las ou confrontá-las.
    Começava então os questionamentos, uma confusão se instalava na minha consciência. Quem era eu de fato? Não conseguia me enxergar, nem tão pouco me enquadrar no real ou no imaginário da minha existência. Tal como uma criança em seu aprendizado para a vida, precisei de amparo, conforto, muitas vezes colo para continuar avançando nas etapas que iam surgindo, dando um passo após o outro, caindo e levantando, subindo alguns degraus e descendo outros, até que me sentisse mais equilibrada e confiante…
    Tenho ainda muito a conquistar eu sei, mas sinto que pouco a pouco conseguirei avançar, me posicionar e definir obstáculos que ainda virão E não poderia deixar de ressaltar minha gratidão e reconhecimento à esses brilhantes profissionais que vasculham e tratam a alma humana com tanta sabedoria e dedicação! Em particular à minha terapeuta que ouviu repetidamente minhas angústias e inquietações pacientemente para que eu chegasse ao patamar que estou.

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