Canto da sereia

... e deixem-me ir.

… e deixem-me ir.

Soltem meus braços

soltem meus passos

parte de mim já seguiu

e o que seguram é uma carcaça

inútil e vergonhosa.

Deixem-me seguir

mesmo por caminhos tortuosos.

Caminhos não ferem,

nós nos ferimos ao longo deles,

mas pessoas, como feras,

mastigam e regurgitam

pedaços moídos de mim.

Deixem-me ir

e não haverá mais pranto a incomodar

não haverá mais trabalho a dar

não haverá mais vergonha por eu estar perto,

ou decepção, raiva e  desprezo.

Deixem-me ir.

De meu caminho tortuoso e repleto de espinhos ,

cuido eu.

Deixem-me ir, não devagar,

escorrendo trabalhosamente entre os dedos.

Abram suas mãos,

desamarrem meus pés,

assumam o preconceito e descaso

e deixem-me ir.

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